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Comunicado: Jornal Rota Policial News não noticiará casos de suicídio

Em respeito aos internautas e como forma de não motivar que pessoas atentem contra a própria vida, decidimos não mais divulgarmos casos associado ao suicídio

A direção do Jornal Rota Policial News vem a público informar que a partir desta data, não mais noticiará casos de suicídio, tendo em vista que a divulgação de tais fatos, em muitos dos casos, insentiva pessoas com problemas psicológicos a cometerem o mesmo ato.

Pensando desta forma, em apoio a vida e a sociedade de modo geral, este jornal eletrônico não mais noticiará casos de suicídio ou a tentativa dele, uma vez que as pessoas que sofrem de depressão ficam expostas e muitos casos, são até mesmo criticadas por não serem entendidas pelas pessoas.

DEPRESSÃO: Uma doença não compreendida!

Quem de nós, num dia daqueles em que tudo dá errado, já não pensou em sumir, desaparecer? Mas daí a, de fato, cometer um ato de auto agressão vai uma grande distância. Isso quer dizer que precisamos entender com muita clareza em que grau o indivíduo está realmente disposto a dar cabo de si mesmo, quando verbaliza que está cansado da vida. Pode representar apenas um desgosto passageiro ou uma ideação real de se matar.

De qualquer forma, o importante é saber que “cachorro que late, pode morder”. É comum a gente ouvir as pessoas dizerem que pessoas que anunciam seu desejo de morrer nunca o fazem, que se quisessem, não anunciariam. Grande engano.

As pessoas quando pensam em suicídio, normalmente, estão ambivalentes em relação a possibilidade de praticar um gesto suicida. Graças a esta ambivalência, muitas vezes falam em suicídio tentando receber algum auxílio externo para que não venham a se suicidar. Mas isto não significa que não cometerão o suicídio.

Quando uma pessoa diz que quer morrer, que vai se matar ou que já planejou sua morte, fique muito atento e converse com esta pessoa demonstrando seu real interesse em ajudá-la. Você pode ser a última pessoa a quem este indivíduo pode estar pedindo ajuda. Existem, inclusive, estudos clássicos sobre suicídio que afirmam que as pessoas, nas semanas anteriores ao suicídio, consultam algum tipo de médico. Portanto, todos nós, médicos, familiares, amigos, colegas, devemos levar a sério manifestações verbais e não verbais (expressas na conduta) de desejo de morrer de pessoas que nos cercam. É importante não ficar indiferente a nenhuma forma de ameaça de suicídio; é importante ajudar esta pessoa a encontrar, rapidamente, a ajuda de um profissional da saúde, de preferência, um psiquiatra.

Como sabemos que tomar esta decisão não é fácil para a pessoa leiga, vamos, a seguir, discorrer um pouco sobre o suicídio para informá-lo como proceder diante desta dificuldade, tentando elidir o tabu que envolve esta forma brutal de acabar com a vida. Precisamos entender que o suicídio na sua grande maioria das vezes está diretamente ligado a doenças psiquiátricas (depressão, estados maníacos, esquizofrenia) e abuso de álcool e de drogas, condições estas que possuem tratamentos adequados e, muitas vezes, eficazes. Além disso, existem muitas condições de risco relacionadas à qualidade de vida do indivíduo e melhorar estas condições pode ser uma forma valiosa de prevenir suicídio.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), preocupada com os índices elevados de suicídio no mundo inteiro, através do seu segmento “Perturbações Mentais e Comportamentais” – Departamento de Saúde Mental, editou o SUPRE – uma série de guias preparados e dirigidos para grupos sociais e profissionais envolvidos de forma relevante na prevenção do suicídio. O que vamos conversar a seguir será baseado neste programa realizado pela OMS, resultado da preocupação com as taxas crescentes de suicídio no mundo inteiro, especialmente dentre a população de jovens. Este programa realizou manuais para áreas de profissionais capazes de exercerem ação preventiva em relação ao suicídio, tais como professores e funcionários de instituições educacionais, profissionais da mídia, médicos clínicos gerais, trabalhadores em cuidados primários de saúde, dentre outros.

Não vamos, portanto, fazer uma revisão científica sobre o assunto, mas dar algumas orientações que poderão ser úteis a todos que, em algum momento de suas vidas, precisarem abordar um suicida de forma firme, calorosa e correta.

Diversos jovens sofrem em silêncio e as famílias só ficam sabendo dos problemas depois que o fato está consumado. De acordo com dados do Mapa da Violência, do Ministério da Saúde, o índice de jovens que tiraram a própria vida aumentou 40% em 10 anos.

CONCEITO DE SUICÍDIO

O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído, ao longo dos séculos, a atenção de filósofos, teólogos, sociólogos, artistas e médicos.

Chamamos de suicídio a todos os casos de morte resultantes direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo da própria vítima que ela sabe produzirá a sua morte. Isto quer dizer que qualquer ato voluntário que possa levar a morte é considerado suicida. Dentro deste raciocínio poderia ser considerado suicídio, não levar um tratamento médico adiante, fumar, usar drogas, fazer dietas rigorosas. Estas formas crônicas de suicídio, entretanto, não são aceitas unanimemente.

Ainda que o suicídio seja um problema sério de saúde pública, sua prevenção e seu controle não se constituem em tarefas fáceis. As mais recentes e inovadoras investigações indicam que a prevenção do suicídio envolve uma série de atividades, que variam desde a provisão das melhores condições possíveis para criar as crianças e os jovens, até um tratamento eficaz das perturbações mentais e um controle dos fatores de riscos ambientais (OMS, Bertolote, 2000).

CONCEITO DE COMPORTAMENTO SUICIDA

O comportamento suicida abrange toda a extensão que vai desde pensamentos suicidas e tentativas de suicídio até ao suicídio completo. Os pensamentos suicidas incluem ideias que levam na direção do perigo de vida, embora o ato que pode ser letal ainda não se realize. Tentativas de suicídio são consideradas aquelas situações nas quais a pessoa realiza um ato que ameaça a vida com a intenção de que sua vida corra perigo ou dando a entender que este é o seu desejo, sem, no entanto, seu gesto resultar em morte. A tentativa de suicídio também pode representar um grito de socorro e pode ser interrompida pela ação de outras pessoas que impedem que o dano pessoal ocorra. O suicídio completo inclui todas as mortes causadas por vontade própria, auto infligida, através de atos que ameaçam a vida e culminam com a própria morte. A pessoa sabe e espera uma consequência fatal. Quando a intenção é vaga ou ambígua, significa que a pessoa não deseja morrer e não vê a morte como finalidade, mas a pessoa deseja parar de viver ou de pensar.

O comportamento suicida em crianças e adolescentes ocorre mais em famílias que tem muitos problemas, dentre eles, alcoolismo, comportamento antissocial, história de suicídio na família, famílias violentas e/ou abusivas (abuso físico ou sexual), famílias negligentes no cuidado com os filhos, famílias com dificuldades de comunicação, divórcio, separação ou morte de um cuidador, exigências muito elevadas ou falta de exigências ou expectativas, excessiva ou inadequada autoridade, rejeição ou negligência. Famílias adotivas e frequentes mudanças de domicílio também podem representar problemas. Nesta faixa etária, ocorrências triviais podem ser vividas como ataques a autoestima e representar uma ferida na dignidade do jovem. Da mesma forma, perda de vínculos, desapontamentos na escola ou baixo rendimento escolar podem representar fatores importantes de risco de tentativas de suicídio ou suicídio.

DADOS ESTATÍSTICOS

 

Hoje o suicídio é considerado problema de saúde pública e prioridade para a OMS porque, de acordo com suas previsões, morre uma pessoa por suicídio a cada quarenta segundos e as taxas de suicídio, nos últimos 45 anos, aumentou 60% no mundo inteiro, deixando o suicídio dentre as três causas mais frequentes de morte nos indivíduos entre 15 e 44 anos de idade (ambos os sexos).

O número de suicídios, ainda que elevado, pode ser considerado subestimado. O grau de subestimação varia de país para país, dependendo essencialmente da forma como os suicídios são notificados. Muitos suicídios não são notificados devido ao estigma, a fatores sociais e políticos e a regulamentação dos seguros de vida, o que significa que muitos são encobertos por certidões de óbito que atestam mortes por acidentes ou mortes de causa indeterminada. Em relação às tentativas de suicídio, a precariedade de registros ainda é maior – a maioria das tentativas de suicídio não são reportadas nem registradas.

O QUE IMPULSIONA UMA PESSOA NA DIREÇÃO DO SUICÍDIO

 

É difícil aceitar o suicídio como um ato racional. No entanto, o indivíduo sente-se forçado a buscar a morte por não encontrar outra forma de resolver seus problemas, sua dor ou sua miséria. A sua situação de vida parece-lhe intolerável e os problemas parecem esmagadores. Por isso, qualquer pessoa que, olhando de fora, vislumbre outras saídas para a situação pode ajudar o indivíduo a seguir outro caminho na solução de seus problemas.

As pessoas suicidas apresentam três características em comum: ambivalência, impulsividade e rigidez de pensamentos, de sentimentos e de ações. São pessoas que pensam constantemente em suicídio e que, como já dissemos, não conseguem ver outra forma de resolver seus problemas. Tendem a encontrar soluções drásticas para suas dificuldades.

Muitas pessoas comunicam seus pensamentos sobre suicídio e sobre as suas intenções; verbalizam seu desejo de morrer ou seus sentimentos de inutilidade. Estas manifestações não podem ser ignoradas, sob pena de sonegarmos ajuda a um indivíduo suicida. Estes pensamentos, mesmo que desapareçam por períodos de tempo, mediante ajuda de outros, podem ressurgir a cada nova situação de estresse. Resumindo, os fatores que devem ser levados em consideração no processo suicida incluem: personalidade, ambiente, estresse, comportamentos e reações das pessoas com quem se convive, suporte psicossocial e cultural, fatores de proteção e fatores de risco. Ainda assim, muitos suicídios podem ser prevenidos, principalmente, através do manejo dos fatores de risco.

FATORES DE RISCO

 

1. Doença mental – depressão, alcoolismo, esquizofrenia, transtorno borderline de personalidade, doença do pânico e transtorno obsessivo-compuilsivo. O transtorno somatoforme e os transtornos alimentares também podem ser considerados comportamentos suicidas.

2. Doença física: epilepsia, câncer, HIV-AIDS, outras doenças crônicas, tais como, diabetes, esclerose múltipla, doença renal ou hepática crônicas e outras condições gastrointestinais, doenças ósseas e articulares com dor crônica, doenças cardiovasculares e neurovasculares, transtornos sexuais, prejuízos da marcha, audição e visão.

 

3. Fatores ambientais e sociais:

– Solidão: divórcio, viuvez ou não casamento;
– Profissões de risco: veterinários, farmacêuticos, químicos, dentistas, profissionais da saúde, trabalhadores rurais;
– Acesso a meios letais;
– Pressão no trabalho;
– Isolamento social;
– Dificuldades econômicas;
– Perda do emprego (pobreza, privação social, dificuldades domésticas, desesperança);
– Migração (pobreza, moradia precária, falta de expectativas, falta de suporte social);
– Situações de vida que produzem estresse (brigas conjugais, com familiares, com amigos ou amores);
– Perdas (afetivas, financeiras, emprego);
– Mudanças políticas radicais;
– Facilidade de encontrar no meio ambiente meios de se suicidar (armas, veneno, medicamentos);
– Exposição ao suicídio ou tentativa prévia de suicídio.

 

O QUE SE PODE FAZER PARA PREVENIR SUICÍDIO

 

1. Orientações para familiares e/ou professores e funcionários de instituições educacionais

 

Mundialmente, o suicídio é uma das cinco causas de mortalidade na faixa etária de 15 a 19 anos de idade. Em muitos países, encabeça como primeira ou segunda causa de morte, de homens ou mulheres, neste grupo de idade.

A prevenção do suicídio em crianças e adolescentes é, portanto, de alta prioridade. A escola aparece como um excelente local para realizar ações preventivas de suicídio, porque a maioria das crianças e dos jovens frequentam a escola neste período da vida.

Ter ocasionalmente pensamentos suicidas não é anormal; fazem parte do processo normal do desenvolvimento da infância e da adolescência e podem refletir apenas problemas existenciais como o sentido da vida e/ou da morte. Metade dos jovens que cursam as universidades já tiveram pensamentos suicidas, o que significa, no mínimo, que o jovem necessita discutir estes assuntos com os adultos.

Os pensamentos suicidas se tornam anormais nas crianças e nos adolescentes quando a concretização destes pensamentos parece ser a única saída para suas dificuldades. É importante saber que nestes casos, o risco de suicídio ou de tentativa de suicídio é muito séria.

Para o jovem, falar de seus problemas e solicitar ajuda, pode representar um grande recurso para prevenir atos suicidas com resultado fatal. Paralelamente, a agressão, a impulsividade e o uso de drogas contribuem para o resultado fatal de um ato suicida, e sempre devem ser levados em consideração.

 

FATORES E SITUAÇÕES DE RISCO

 

Fatores genéticos e do meio ambiente:

• Baixo status socioeconômico, baixo nível de escolaridade e desemprego na família são considerados fatores de risco. Estes fatores culturais se articulam com a escassa participação em atividades tradicionais da sociedade e com conflitos com os valores dos diversos grupos. Como o crescimento individual de cada jovem está vinculado com a tradição cultural coletiva, crianças e jovens sem raízes culturais tem marcados problemas de identidade e carecem de um modelo para solução de conflitos, podendo lançar mão de comportamentos autodestrutivos como o suicídio.

• Os indivíduos que não são aceitos pela cultura, pela família, pelos amigos, pela escola e outras instituições tem sérios problemas de integração e não adquirem os modelos de apoio para seu desenvolvimento. Isto pode ocorrer, por exemplo, com os jovens que tem dificuldade com sua identidade e sua orientação sexual.

• Dentre as disfunções familiares e os acontecimentos de vida negativos e desestabilizadores do psiquismo infantil e adolescente, temos:

– psicopatologia dos pais com presença de desordens psiquiátricas, em particular emocionais;

– abuso de álcool e substâncias, ou comportamento antissocial na família;

– antecedentes familiares de suicídios e tentativas de suicídio;

– família violenta e abusiva (incluindo abusos físicos e sexuais da criança);

– escassa provisão de cuidados pelos pais ou cuidadores e pouca comunicação dentro da família;

– brigas frequentes entre os pais ou cuidadores, com agressão e tensão;

– divórcio, separação ou morte dos pais ou cuidadores;

– mudanças frequentes para áreas residenciais diferentes;

– expectativas muito altas ou expectativas muito baixas por parte dos pais ou cuidadores;

– pais ou cuidadores com autoridade excessiva ou inadequada;

– falta de tempo dos pais para observar e tratar os problemas de aflição emocional dos jovens e ambiente emocional negativo caracterizado por rechaço ou descuido;

– rigidez familiar;

– famílias adotivas ou similares.

 

Estes padrões familiares muitas vezes, mas não sempre, caracterizam as situações das crianças e adolescentes que tentam ou cometem suicídio. A evidência sugere que os jovens suicidas, em geral, vem de famílias com mais de um problema, no qual os riscos são cumulativos. A lealdade aos pais e o desejo de não revelar segredos familiares ou a proibição de revelá-los, frequentemente, leva o jovem a abster-se da procura de ajuda fora da família.

 

2. Fatores de personalidade:

 

São comuns os seguintes achados na população de jovens que se suicidam ou tentam o suicídio:

– instabilidade de humor, raiva ou agressividade;

– comportamento antissocial;

– condutas inadequadas à realidade, representação de fantasias;

– alta impulsividade;

– irritabilidade;

– rigidez de pensamento e de cumprimento de padrões;

– escassa habilidade de solução de problemas frente a dificuldades;

– inabilidade para entender a realidade;

– tendência a viver num mundo ilusório;

– fantasias de grandeza alternando com sentimentos de desvalorização;

– frequente sentimento de frustração;

– ansiedade excessiva frente a pequenos mal-estares físicos ou pequenas decepções;

– petulância;

– sentimentos de inferioridade e de insegurança que se escondem atrás de manifestações abertas de superioridade, comportamento provocador ou de rechaço aos companheiros e aos adultos, incluindo a figura dos pais;

– incerteza em relação a identidade de gênero ou orientação sexual;

– relações ambivalentes com os pais, outros adultos e amigos;

3. Fatores psiquiátricos:

 

O comportamento suicida é maior em crianças e adolescentes que apresentam transtornos psiquiátricos, os quais podem estar relacionados a:

– Depressão;

– Transtornos de ansiedade;

– Abuso de álcool e drogas;

– Transtornos alimentares;

– Transtornos psicóticos;

– Tentativas prévias de suicídio.

 

4. Acontecimentos negativos da vida cotidiana:

 

As situações de risco e os acontecimentos que podem desencadear suicídios ou tentativas de suicídio incluem:

– situações que são experimentadas com naturalidade pela maioria das pessoas, podem ser percebidas pelo suicida como ameaças diretas a sua própria imagem e reagem como se tivessem sido feridos na sua dignidade pessoal;

– problemas familiares;

– separação dos amigos, do casal, dos companheiros de sala de aula, etc.;

– morte de uma pessoa querida ou de pessoa muito importante para si;

– término de uma relação amorosa;

– conflitos interpessoais ou perdas;

– problemas legais ou disciplinares;

– pressão do grupo de companheiros ou aceitação autodestrutiva por parte dos mesmos;

– submissão e vitimização;

– decepção com os resultados escolares e fracassos nos estudos;

– altas exigências no colégio durante as provas finais;

– falta de emprego e problemas econômicos;

– gravidez não desejada ou aborto;

– infecção com HIV ou outras doenças sexualmente transmitidas;

– enfermidade física grave;

– desastres naturais.

 

COMO IDENTIFICAR ESTUDANTES AFLITOS E COM POSSÍVEL RISCO DE SUICÍDIO

 

Os fatores abaixo ajudam a identificar os estudantes com risco de aflição mental e social que podem abrigar pensamentos e intenções suicidas. Qualquer mudança repentina ou dramática que afete o desempenho de crianças e adolescentes deve ser alvo de atenção dos professores e funcionários da escola, especialmente quando houver:

– falta de interesse nas atividades cotidianas;

– rebaixamento geral no rendimento nas avaliações;

– diminuição do esforço;

– comportamento inadequado na sala de aula;

– excesso de fumo, de álcool ou uso de drogas, inclusive maconha;

– envolvimento em incidentes que conduzam a violência ou que exija a intervenção da polícia.

 

O estudante suspeito de risco de suicídio pode ser investigado na própria escola, através de pessoa qualificada para tanto, a qual deverá avaliar:

– intensidade do risco de suicídio

– verificar tentativas prévias de suicídio

– verificar a possibilidade de depressão

– verificar se o jovem está passando por alguma situação de risco

 

Se achar que existe risco, deve comunicar sua preocupação com a situação para o aluno e, de preferência, obter sua permissão para fazer um contato com a sua família. Sua intervenção deverá ser realizada de forma firme e calorosa, salientando o aspecto positivo de sua atitude.

A família poderá ser orientada e receber um encaminhamento para serviço especializado para atendimento imediato. A orientação deve incluir a vigilância do aluno e o afastamento de recursos potencialmente letais.

 

FATORES DE PROTEÇÃO CONTRA O COMPORTAMENTO SUICIDA

 

1. Modelo cognitivo e personalidade

– senso de valor pessoal

– confiança em alguém, confiança em sua própria situação e realizações

– procura de ajuda quando surgem dificuldades

– procura de conselhos quando escolhas importantes devem ser feitas

– abertura e interesse para aprender com a experiência e com soluções de outras pessoas

– abertura e interesse pela aprendizagem em geral

– habilidade para se comunicar

 

2. Padrão familiar

– bom relacionamento familiar

– apoio da família

– familiares dedicados e consistentes

 

3. Fatores culturais e sociais:

– Cultivo de valores e tradições específicos de uma cultura

– bom relacionamento com amigos, chefes, vizinhos

– apoio de pessoa relevante

– amigos que não usem drogas

– integração social

– capacidade de dar sentido a sua existência

 

4. Fatores ambientais:

– boa dieta

– bom sono

– exposição a luz solar

– exercício físico

– não envolvimento com fumo, álcool e drogas

 

COMO PROMOVER SAÚDE MENTAL E DIMINUIR RISCO DE SUICÍDIO

1. fortalecer a saúde mental dos alunos e dos membros da equipe institucional.

2. fortalecer a autoestima dos estudantes.

3. promover a expressão de emoções.

4. evitar a intimidação ou a violência no ambiente escolar.

5. informar sobre serviços especializados em saúde mental.

6. intervir quando identificar risco de suicídio.

7. comunicar-se com o aluno sobre suas dificuldades.

8. capacitar-se para o exercício desta tarefa.

9. realizar encaminhamentos a profissionais especializados.

10. não fazer segredo de eventual suicídio ocorrido na escola ou em ambiente domiciliar.

 

2. Orientações para profissionais da mídia – notícias sobre suicídio e sua repercussão

DIVULGAÇÃO DE CASOS DE SUICÍDIO INCENTIVAM PESSOAS A COMETERERO ATO

A mídia tem um papel importante na sociedade contemporânea, influenciando as atitudes, as crenças e os comportamentos nas comunidades. Existem evidências suficientes para que acreditemos na associação entre coberturas televisivas e jornalísticas não ficcionais de suicídios e aumento significativo de casos de suicídio; pessoas podem ser influenciadas a imitar o gesto suicida a partir da notícia de que alguém se suicidou, especialmente se esta pessoa for uma celebridade – efeito Wherter. Ao mesmo tempo, devido a esta grande influência, a mídia pode ter um papel importante na prevenção do suicídio, se, ao noticiar suicídios, tiver a preocupação de não sensacionalizar o fato, se tentar dissuadir pessoas de cometer gesto semelhante, se não der uma falsa ideia de que o suicídio é um gesto “normal” e se alertar para a possibilidade da prevenção pelo tratamento adequado das causas associadas a tal comportamento. Noticiar acerca do suicídio de uma forma apropriada e cuidadosa é potencialmente útil na prevenção de trágicas perdas de vida por suicídio.

Segundo as informações dadas pelo SUPRE, são os seguintes os cuidados que a mídia deve ter:

– Evitar a todo custo a cobertura sensacionalista de suicídio, particularmente quando envolve alguma celebridade;

– A cobertura deve ser minimizada ao máximo;

– Qualquer problema de saúde mental associado deve ser explicitado;

– Evitar qualquer forma de exagero;

– Fotografias do falecido, do método empregado e da cena do suicídio devem ser evitadas;

– Não noticiar em primeira página

– Devem ser evitados os detalhes dos métodos utilizados e de como foram produzidos;

– O suicídio não deve ser publicado como inexplicável ou de forma simplista – fatores associados devem ser evidenciados, tais como, doença mental ou física, abuso de substâncias, perturbações familiares, conflitos interpessoais e pressões da vida. Pode ser útil mostrar que o suicídio é o resultados da soma de muitos fatores.

– O suicídio não deve ser descrito como um método para enfrentar problemas pessoais tais como falência, não passar num exame, ou abuso sexual.

– Assinalar o estigma e o sofrimento psicológico dos familiares e de outros sobreviventes após a perda de um ente querido por suicídio;

– Não glorificar as vítimas do suicídio como mártires nem honrar o comportamento suicida;

– Centrar a notícia no luto e na dor provocada nos familiares pela morte da pessoa;

– Descrever as consequências físicas das tentativas mal consumadas de suicídio, tais como, danos cerebrais, paralisias, deformidades físicas.

 

A mídia pode ter um papel ativo na prevenção de suicídios, especialmente se, ao publicar notícia de suicídio, acrescentar:

– Listagem de serviços de saúde mental disponíveis e linhas telefônicas de serviços de ajuda ao suicida;

– Lista de sintomas e sinais de risco de suicídio;

– A informação de que existe uma forte associação entre depressão grave e suicídio, salientando o fato de que a depressão é uma doença tratável.

CONCLUSÃO FINAL

 

O suicídio não pode ser banalizado. Todos nós somos responsáveis e podemos exercer a prática da prevenção de suicídio de pessoas que nos cercam; precisamos desmanchar o tabu que envolve a situação de suicídio, assumindo a responsabilidade de conhecer e divulgar informações sobre a prevenção de suicídio.

 

O QUE A MÍDIA DEVE FAZER

• Trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde, antes de noticiar os fatos;
• Referir-se ao suicídio como fato consumado e não como bem sucedido;
• Apresentar os dados relevantes, nas páginas interiores de qualquer jornal;
• Realçar condutas alternativas ao suicídio;
• Fornecer informações sobre telefones de ajuda e recursos comunitários;
• Publicar indicadores de risco e sinais de aviso.

 

O QUE A MÍDIA NÃO DEVE FAZER

• Não deve publicar fotografias ou notas sobre suicídio;
• Não deve noticiar detalhes específicos do método utilizado;
• Não deve apresentar razões simplistas;
• Não deve glorificar ou sensacionalizar o suicídio;
• Não deve usar estereótipos religiosos ou culturais.

Para não cometermos erros e por entendermos o lado das pessoas que sofrem deste mal, a redação do Jornal Rota Policial News, decidiu não mais noticias fatos sobre suicídios; mas sim, lutarmos pela saúde mental dos jovens e das pessoas que sofrem deste mal. Em Vilhena, cerca de cinco suicídios e inúmeras tentativas foram registradas no mês de Setembro.

A redação notou que o fato da divulgação na mídia dos casos de suicídio, levaram pessoas a atentarem contra a própria vida, bem como, mostrou que nossa sociedade não entende o que uma pessoa depressiva passa diariamente e inclusive, fazem julgamentos e muitos até comemoram a morte de depressivos, com insinuações desumanas que terminam por incentivar o ato suicidade e fazer com que uma pessoa que sofra deste mal, sinta-se excluída da sociedade.

Até mesmo pela nossa própria saúde mental, nós, do noticioso, decimos por não mais acompanhar estes casos.

E com está decisão, esperamos que os demais noticiosos também a tomem e que a sociedade possa lutar pela vida e apoiar pessoas que sofrem desta doença que tem levado muitas pessoas ao ato cruel contra si mesmas. Se tu, caro leitor, souber de alguém que possa estar sofrendo deste mal, aconselhamos que você não a crítique, mas lute pela vida dela e demonstre o quanto a ama e jamais diga que “lava as mãos por ela”, pois, ela precisa de ajuda, e talvez, você seja a última saída para que ela supere a depressão.

Redaçã0 – Antonio Carlos Mont Serrate; com informações da ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS), Departamento de Saúde mental, Perturbações Mentais e Comportamentais – SUPRE

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